quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Salto alto prejudica circulação sanguínea

Fonte: Agência Estado - 17/08/2010
Nem a plataforma passou no teste de salto amigo da saúde. Pelo contrário: de acordo com uma pesquisa do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, vinculado à Universidade de Paulo (USP), ela é o tipo de calçado que mais prejudica a circulação sanguínea na panturrilha. Para os pesquisadores, o uso cotidiano do sapato de salto é um fator de risco para o surgimento de varizes e de outras doenças venosas, como flebites e tromboses.

Trinta mulheres com idade entre 20 e 35 anos, todas com índice de massa corporal adequado e clinicamente saudáveis, sem problemas venosos, foram submetidas a exames sobre o impacto dos saltos na circulação sanguínea. Para isso foram testadas quatro situações: salto agulha com 7 cm, plataforma com a mesma altura, salto de 3,5 cm e sem salto (descalças).

Segundo o cirurgião vascular Wagner Tedeschi Filho, coordenador da pesquisa, quanto maior o salto, maior a limitação de ação da panturrilha. "A panturrilha é o coração da perna. O sangue, rico em oxigênio e nutrientes, desce para as pernas pelas artérias e retorna pelas veias, com detritos e gás carbônico, com a ajuda da panturrilha", afirma o médico. "A capacidade (da panturrilha) fica debilitada com o uso do salto alto", completa.

O sangue venoso "acaba represado nas pernas", explica o médico Newton de Barros Júnior, do Departamento de Doenças Venosas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. O ideal, segundo os especialistas, é que o volume residual venoso - que mede a quantidade de sangue não bombeado das pernas para o tórax - não passe de 35%. No caso do salto do tipo plataforma, por exemplo, o estudo da USP apontou um volume residual de 59% - com o agulha, 56%; com o salto de 3,5 cm, 49% de resíduo. Apenas descalças as pacientes atingiram o índice desejado.

"Inchaço, dores, presença de vasinhos e sensação de peso são sintomas dos problemas de circulação", diz Tedeschi Filho. Os especialistas ressaltam que o salto alto é um fator de risco, mas não a origem dos problemas circulatórios. "Usar salto alto não é uma doença. Pode agravar sintomas, mas não tem implicações clínicas", explica o cirurgião vascular do Hospital Israelita Albert Einstein, Ricardo Aun.


OPINIÃO: O uso do salto alto só se torna um problemas para as mulheres quando utilizados de forma contínua e intensa. Algumas pessoas o utilizam todos os dias, o dia inteiro. Além dos distúrbios circulatórios, o uso contínuo causa o encurtamento dos músculos da panturrilha, que leva a alterações na postura que podem ocasionar dores nas pernas e nas costas. Além disso, pode causar calejamentoe e dores nas articulações dos dedos do pé. E tudo isto pode ser agravado para aquelas que estão com uns quilinhos a mais, tem mais de 50 anos ou não praticam atividade física.



"O equilíbrio da vida começa pelos pés".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Morte

Autor: Pedro Bial (?)

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.

Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: Morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é? Morrer é um cliche.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!